MARIA MACIA EM DUAS OU TRÊS PALAVRAS

Um pouco de história 

(a) Os primeiros dentes

Como solucionar o problema do plantio de inverno? Como fugir da geada, que leva o trabalho de um semestre inteiro em uma noite? Essas questões levaram as irmãs Maria da Graça Montans Braga e Maria da Conceição Montans Baer a mudar o sistema de produção de suas propriedades, em Luiziana, região centro-oeste do Paraná. Após, uniram forças com outros proprietários rurais de regiões próximas: Agropecuária Ipê, Emílio Luiz Augusto Prohmann e Celso Akio Murofuse para criar uma cooperativa agropecuária, a Maria Macia.
Como é frequente a ocorrência de geadas na região, as quais comprometem a produção de trigo, aveia e demais culturas de inverno, perdendo-se boa parte ou até a totalidade da produção, era fundamental pensar em saídas. À época, era comum ouvir o seguinte: “plante o inverno, mas não conte com essa renda”. Por que tinha que ser assim? Essa a pergunta que ficava como pulga atrás da orelha.
O dogma foi questionado. O rumo tomado, o de um novo sistema produtivo.
Primeiro, veio a ideia de produzir carne. Em seguida, a ideia da cooperativa se apresentou. Um modo de mudar o sistema tanto no que se refere ao que era produzido quanto ao modo de comercializar o resultado. O produtor rural, afinal, quanto mais unido, mais força ganha. Todos juntos, em prol de objetivos comuns, implica mais força a cada um dos membros. Essa a tese fundamental do cooperativismo, que foi o segundo passo dado pelas irmãs, após resolverem mudar a atividade produtiva pelo sistema de integração lavoura pecuária (ILP).
O nome da Cooperativa foi criado a partir do nome das duas produtoras que primeiro uniram forças: Maria da Graça e Maria da Conceição. A ideia inicial era a de que o nome da cooperativa trouxesse junto o ‘Maria’, característico, abrasileirado, de fácil pronúncia e memorização, e que cairia no gosto do público. Para complementar, por ser carne o produto, o nome deveria carregar uma característica importante que o acompanharia, a saber, a maciez. Daí ao nome foi um pulo: Maria Macia.
(b) Da ideia ao fato
Desse modo, como primeiro movimento, as Marias retiraram as culturas de alto risco – trigo e aveia -, e no lugar ingressou a ILP, que engatinhava nos primórdios de 2000. Com essa escolha nova, haveria maior certeza de renda, o que não ocorria no sistema tradicional, em razão das geadas.
No ano de 2000, Maria da Graça Montans Braga já soubera da existência incipiente da ILP. Em 2003 foi realizada a primeira experiência de pequena monta, com gado de corte, integrado ao sistema produtivo de grãos.
Em meados de 2004 se juntaram às Marias outros produtores. A produção era vendida em uma rede de supermercado de Campo Mourão, com pequeno valor agregado. Ao praticar e estudar o novo sistema, os produtores o aperfeiçoaram.
Incursões no mercado de carne trouxeram conhecimentos que balizaram a implantação da cooperativa Maria Macia (MM). Em dezembro de 2007 seu estatuto foi elaborado e, em 12 de maio de 2008, foi emitida a primeira Nota Fiscal. A diretoria da Cooperativa Maria Macia ficou formada com as seguintes pessoas : presidente Luiz Carlos Braga. Vice presidente: Celso Akio Murofuse. Diretor secretário: Paulo Emilio Fernandes Prohmann.
Por trabalhar com alta tecnologia e inovações, em curto espaço de tempo havia produção de animais com qualidade muito acima da média.
A estrada não era reta, entretanto. O mercado de carne reservaria ao grupo problemas bastante diversos e complexos. Não havia remuneração compatível com o produto ofertado. Existiam, igualmente, as questões da escala de entrega, da alteração frequente, às vezes diária, no preço de comercialização da arroba de boi, a forte concorrência, entre muitas outras.
No dia a dia comercial, no relacionamento com redes de supermercados da região, a MM teve acesso ao gosto do consumidor final, que buscava prazer na aquisição de carne bovina. Desse modo estabeleceram-se critérios para a entrega dos animais de tal sorte que se pudesse atender ao que de fato queria o consumidor.
Ao longo do tempo – e até hoje! – o consumidor é quem dita as regras do jogo para adquirir o produto que deseja. E a MM tem por meta o atender da melhor maneira. O critério pode ser resumido em duas palavras: alta qualidade.
A carne Maria Macia veio para satisfazer esse tipo de consumidor. Ela tem sido indicada nos mais diversos lugares do Brasil como carne saborosa, suculenta e macia.
Além disso, apresenta três características importantes, a saber, embalagens ad hoc (sem sangue), gordura 6 mm de espessura ( leia-se sabor ) e cor vermelha (o que indica que os animais foram criados sobre grama verde, no pasto).
Os primeiros animais comercializados pelo grupo vieram, assim, das propriedades das duas irmãs, o que, na época, levou o público a comentar: “aquela carne macia vem lá das Marias…”
(c) Os passos mais largos
Ao ganhar o reconhecimento dos consumidores e varejistas da região, a demanda pelos produtos logo cresceu. O grupo de cooperados também.
Qualidade é a “pedra angular”, o fundamento de tudo o que a cooperativa Maria Macia faz. Seus mais de cento e cinquenta cooperados atuais recebem treinamento, frequentam encontros técnicos em variadas frentes e podem comprar produtos

de excelente qualidade. Igualmente, têm acesso a resultados comprovados em pesquisa, opções de negócios e informações que resultam em segurança, rentabilidade e conhecimento. Por estarem todos muito bem alinhados, cooperativa e cooperados, todos ganham.
Outro ponto que importa ser mencionado: o grupo dispõe da certificação BPA – Boas Práticas Agropecuárias1 – Embrapa. Atualmente, no Estado do Paraná, apenas doze propriedades detém o selo BPA – Embrapa. Essa certificação é oferecida aos produtores da MM. O intuito é que esse número cresça, o que servirá de garantia de qualidade ainda maior ao consumidor. E a MM, assim, acaba sendo bom exemplo a seus pares.
Importa ressaltar, o que mostra o grau de excelência da MM, que essas doze propriedades são de cooperados da Maria Macia. Até agora – fim do ano de 2017 -, são as primeiras e únicas propriedades do Estado do Paraná que possuem tal selo. Um orgulho para a MM e para os cooperados. Um exemplo a todos.
Essa certificação comprova o perfil ético, social, ambiental e de comércio justo que a MM implantou e ajuda que seus cooperados pratiquem. Ao final, isso é mais uma garantia de segurança alimentar e de origem dos produtos aos consumidores.
Outro ponto importante e que deve ser salientado: todo animal ofertado ao mercado tem que atender aos procedimentos operacionais padronizados, de tal sorte que qualquer desvio de conduta imediatamente ocasiona a suspensão da linha de produção, não se permitindo a entrada no mercado de animal ou corte fora do padrão de qualidade exigido. Mesmo no momento da entrega do produto, eventual não conformidade pode ser constatada e deve ser sanada.
Com uma gestão moderna, administração por resultado (ARP), a MM conta com sistema de indicadores. Há o perfil financeiro anual (PFA), o planejamento estratégico empresarial (PEE) e posições futuras desejadas (PFDs), itens que, do ponto de vista da gestão, constituem fundamento das ações cooperativas da MM.
Outro ponto que importa, pois é espelho em que se reflete a qualidade ou sua ausência: pesquisas de satisfação de clientes e colaboradores são feitos frequentemente. Desse modo, os deslizes podem ser constatados e resolvidos em tempo.
Atualmente a cooperativa Maria Macia é composta pela seguinte diretoria: presidente Luiz Carlos Braga. Vice presidente: Carlos Chagas Ferreira. Diretor secretário: Paulo Emilio Fernandes Prohmann.
(d) Cenários futuros
O cooperativismo é o que há de mais interessante ao produtor. E o cooperativismo inovador que a MM pratica apenas soma ideias e vantagens a essa tese fundamental. Frequentar novos caminhos não é fácil, mas é preciso. O produtor unido em objetivos comuns tem mais chance de ver os resultados que a todos beneficiam.
Para resumir a história desses dez anos, pode-se dizer, em poucas palavras, como linhas futuras a serem seguidas: no segmento das carnes de qualidade e afins, a MM pretende continuar honrando seu caráter inovador no cooperativismo. Ou seja, fazer o melhor pelos seus cooperados e colaboradores, bem como atender ao cliente com a qualidade que foi ponto de partida e sempre será horizonte a ser perseguido. Você é nosso convidado para surfar essas ondas inovadoras e solidárias. Vamos nessa?

 

 

1 BPA: “As Boas Práticas Agropecuárias – Bovinos de Corte (BPA) referem-se a um conjunto de normas e procedimentos a serem observados pelos produtores rurais, que além de assegurar a oferta de alimentos seguros, torna os sistemas de produção mais rentáveis, competitivos e sustentáveis.” Fonte: EMBRAPA. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-solucoes-tecnologicas/-/produto-servico/1627/boas-praticas-agropecuarias–bovinos-de-corte-bpa. Acesso: 17 OUT 2017.

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