A importância dos suplementos minerais na bovinocultura

 In Minerais

Entrevista com Dr. Paulo Emílio Prohmann- responsável técnicopelos minerais Maria Macia a Revista Metrópole.

A boa nutrição é fundamental para todos os seres vivos, inclusive aqueles que são criados para o corte, como os bovinos. É fundamental que sejam alimentados de forma adequada, precisando do complemento de suplementos minerais, como fonte alternativa que não cause prejuízos ao ecossistema. Para saber mais sobre o assunto, conversamos com Paulo Emílio Fernandes Prohmann, gerente geral da Maria Macia Cooperativa que está lançando a sua linha exclusiva de sais minerais.

 

Metrópole: Paulo, o que são os suplementos minerais?

Paulo: Suplementos minerais são produtos compostos basicamente por macro e microminerais (podem conter também aditivos, vitaminas, etc) necessários para suprir parcialmente ou na totalidade as demandas fisiológicas dos bovinos, uma vez que os pastos apresentam com frequência deficiências destes elementos.

 

Metrópole: Qual a finalidade dos suplementos minerais de bovinocultura?

Paulo: Uma das finalidades é permitir que os animais expressem seu potencial genético, evitando restrições no crescimento/desenvolvimento e o aparecimento de enfermidades relacionadas com deficiências de minerais, em casos extremos. Outro objetivo é tornar esses suplementos veículos para o fornecimento de aditivos melhoradores de desempenho, tornando os bovinos ainda mais eficientes. Infelizmente, esta estratégia tem sido pouco utilizada em nosso país, deixando de gerar consideráveis ganhos para a atividade.

 

Metrópole: Que benefícios o uso correto dos minerais podem trazer ao rebanho?

Paulo: Os benefícios são inúmeros. Vão desde a melhoria dos índices de fertilidade do rebanho, proporcionando mais vacas prenhas por estação de cobertura e até mesmo na elevação do ganho de peso de novilhas e garrotes em fase de engorda. Em síntese, seu custo-benefício é favorável tanto para quem cria quanto para quem engorda.

 

Metrópole: Como pode ser comprovada a qualidade destes suplementos?

Paulo: Esse é um ponto bastante delicado. Algumas pesquisas realizadas no Brasil apontam que várias empresas deste segmento não seguem as formulações descritas nos rótulos. Quando isso ocorre, dependendo do mineral, o resultado poderá ser um consumo exagerado do produto acarretando em gastos desnecessários. Outro ponto negativo é que o consumo em excesso de certos minerais poderá ser tão prejudicial quanto a sua deficiência, ocasionando até mesmo enfermidades ao rebanho. Além dessa situação preocupante, há casos de contaminação do suplemento mineral por substâncias indesejadas, como os temidos metais pesados. Por este motivo o produtor só estará seguro de forma efetiva quando realizar análises laboratoriais periódicas detalhadas do suplemento mineral que está adquirindo.

 

Metrópole: Fatores como clima e qualidade da pastagem podem interferir neste resultado?

Paulo: Podem sim. Observamos nas propriedades que quanto melhor for a qualidade e disponibilidade do pasto, menor será o consumo de mineral, ou seja, no período das águas com capim abundante o animal tende a ingerir menos suplemento. No período seco do ano, em algumas regiões, pode-se adotar o fornecimento do sal proteinado, de maior consumo, para auxiliar na utilização mais eficiente do pasto seco de qualidade inferior.

 

Metrópole: Como é produzido o suplemento Mineral Maria Macia?

Paulo: O mineral formulado pela Cooperativa Maria Macia segue uma linha distinta da praticada atualmente pelas empresas desse ramo. As formulações visam atender as necessidades dos bovinos em nossa região, de forma mais específica, precisa. Para contextualizar, é impossível termos um produto que consiga atender as distintas exigências dos rebanhos brasileiros (do Rio Grande do Sul ao Pará!) de maneira equilibrada, como observamos atualmente no mercado. Dentro da Cooperativa, demos um passo mais avançado e realizamos análises químicas dos pastos, ilustrando com mais segurança a nossa realidade para aprimorar nossas formulações, ou seja, fornecer o que realmente os animais necessitam em condições locais. Trata-se de economia com tecnologia! Por falar em tecnologia, todo aditivo utilizado nos produtos Maria Macia é selecionado em função de sua comprovada eficiência, ao invés da busca simplista por preços menores e, em muitos casos como consequência, com qualidade duvidosa. Além disso, em toda compra realizada pela Cooperativa, amostras dos produtos são enviadas para um dos melhores laboratórios do país, a fim de confirmar a formulação dos mesmos. É a certeza, por parte dos cooperados, de estar adquirindo exatamente aquilo o que foi oferecido.

 

Metrópole: Quais são as diferentes linhas de produtos dos minerais Maria Macia Tecnologia Animal trabalha? Para que serve cada uma?

Paulo: Temos uma linha destinada para engorda a pasto, atendendo propriedades que utilizam adubação. Destacam-se dentro deste grupo os produtos com aditivos para melhoria do desempenho. Temos também um núcleo específico para a engorda em confinamento. Trata-se de um produto completo que, além dos minerais, é composto por dois aditivos e um sequestrante de micotoxinas. Outra linha é focada para os rebanhos de cria, atendendo novilhas e vacas em reprodução. Para o período seco do ano, trabalhamos com o proteinado, de maior consumo para melhor utilização do pasto seco.

 

Metrópole: Há uma quantidade ideal de suplemento que o bovino deve consumir diariamente? Como é possível fazer este controle?

Paulo: Esse é um ponto importantíssimo também. O mineral responsável pelo consumo da mistura é o sódio, disponível através do sal branco (cloreto de sódio). O bovino necessita ingeri-lo diariamente, pois não tem reservas deste elemento. Assim, misturas com menor concentração de sódio tendem a ser mais consumidas. Para termos uma ideia, em média um animal com 450 kg consome aproximadamente 25 gramas de sal branco por dia. Se por exemplo, ele consumir 100 gramas por dia de uma mistura mineral, pode-se estimar que aproximadamente 75 gramas referem-se aos demais minerais e aditivos. Por este motivo o produtor deve estar atento à concentração de sódio das misturas. Porém, uma situação particular poderá ocorrer: mesmo em misturas com concentração de sódio dentro dos patamares recomendados o consumo poderá ser elevado, caso haja a adição de ingredientes palatáveis, o que tornará o suplemento muito atrativo aos animais. Todo cuidado é pouco!

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